Na mesma data que marcou o Dia do Estudante, 11 de agosto, docentes, técnico-administrativos e estudantes de diversas regiões do país realizaram o Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação Pública com diversas atividades, entre atos de rua, aula pública e debates, com os eixos “Fora Temer”, “Por uma Escola sem Mordaça e “Contra a redução de verbas da educação e a privatização do ensino”. O Dia Nacional – organizado pela Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública (ex-Comitê dos 10% do PIB para a Educação Pública, Já!), do qual o ANDES-SN faz parte -, é um dos encaminhamentos do II Encontro Nacional de Educação (ENE) realizado em junho, em Brasília (DF), e tem como objetivo denunciar para a sociedade a precarização e mercantilização da educação pública no Brasil promovidas por parte dos governos municipais, estaduais e federal.

No Rio de Janeiro (RJ), docentes, técnicos, estudantes junto diversas categorias e representantes de movimentos sociais realizaram um ato no Boulevard Olímpico, localizado na Praça Mauá, região central do Rio, em defesa da educação, pública, gratuita e de qualidade e dos serviços e servidores públicos. O local foi escolhido pela grande concentração de moradores da cidade e turistas por ocasião dos Jogos Olímpicos, que poderão ser sensibilizados sobre a gravidade das medidas de austeridade do governo interino de Michel Temer. Foi realizada uma panfletagem no local onde foi distribuída uma carta as pessoas que passavam pelo local, em que alertavam sobre o desastre que representará para o país a possível aprovação de projetos como o PLP 257/16  e a PEC 241/16 .  

Em Belém (PA), centenas de estudantes e trabalhadores da Educação saíram às ruas da capital paraense na manhã do dia 11 munidos de faixas e bandeiras para denunciar as péssimas condições das escolas públicas em todo o estado e as ameaças constantes de privatização do ensino superior. Além de reivindicarem uma educação de qualidade, os manifestantes criticaram o Projeto de Lei 867/2015, do deputado federal Izalci Lucas (PSDB/DF), que institui o programa Escola sem Partido, considerado um ataque à democracia e uma tentativa de amordaçar os professores e impedir a livre organização estudantil.

Em Vitória (ES), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes- Seção Sindical do ANDES-SN) promoveu no dia 11 junto com demais sindicatos de categorias da Educação, na sede da Adufes SSind., um Seminário sobre os ataques contra os serviços públicos. Entre os palestrantes, Eblin Farage, presidente do ANDES-SN, falou sobre os impactos do PLP 257, PEC 241 e a o projeto da Escola sem Partido em tramitação no Congresso Nacional. Em Uberlândia foi realizada uma mesa de debate com o tema: “O que fazer para fortalecer a luta contra o PLP 257/2016 e a PEC 241/2016?”. O evento contou uma forte adesão de técnicos, professores e alunos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Olgaíses Maués, 3ª vice-presidente do ANDES-SN e representante do Sindicato Nacional na Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública, apontou a importância das mobilizações no dia 11 de agosto e a efetividade das ações que ocorreram por todo o país. “É um momento que exige de nós professores, professoras, técnicos e estudantes de todas as instituições de ensino uma mobilização permanente, porque os ataques estão vindos de todos os lados, são cortes anunciados, estamos cercados de diversos ataques que vem dos governos e da mídia e que atacam as instituições de ensino superior exigindo o fim da gratuidade. O nosso objetivo como sindicato combativo é estar na rua fazendo essa mobilização contra todas as medidas anunciadas e que circulam no Congresso Nacional”, disse.
Repressão Policial
Em outros estados, as manifestações no Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação Pública foram duramente reprimidas pela Polícia Militar. Em São Paulo, cerca de 200 estudantes secundaristas e universitários, que protestavam contra os cortes na educação, o projeto Escola sem Partido, o desvio de verbas da merenda escolar e a reorganização escolar, foram cercados por policiais, que jogaram bombas de gás lacrimogêneo, e prenderem cerca de 10 estudantes. Todos foram soltos. A maior parte dos detidos – participaram das ocupações de escolas-, vêm sofrendo perseguições por parte de suas escolas e da polícia.

Outro caso de violência policial se deu em Santa Maria (RS). Policiais militares intimidaram estudantes e professores, com empurrões, chutes, uso de cassetetes e até balas de borrachas, quando estes realizavam uma marcha pelas ruas da cidade em defesa da educação. Diante dos ataques, os manifestantes conseguiram abrigo na escola estadual Cilon Rosa. Entretanto, a escola foi invadida pelos policiais que continuaram as agressões física e verbalmente, contra professores, estudantes menores de idade e pais de alunos. Nove estudantes secundaristas e universitários foram presos.

A diretora do Sindicato Nacional rechaçou a violência policial e afirma que este é um modo do estado reprimir as manifestações contra os ataques que estão em curso. Olgaíses ressalta que é importante continuar com as manifestações e chama todos os docentes para a paralisação do dia 16 de agosto – Dia Nacional de Mobilização em Defesa dos Empregos e contra a Retirada de Direitos. “Chamamos todos para o dia 16 de agosto que defende, não apenas a Educação, os direitos dos trabalhadores e a construção de uma greve geral. Neste momento temos que concentrar todos os esforços para esta data em unidade com toda a classe trabalhadora do país”, ressalta.

Com informações das seções sindicais do ANDES-SN, Esquerda Diário e do coletivo Resistência Popular e Estudantil de Santa Maria

Fonte: ANDES-SN