Parte da nova diretoria da Associação dos Professores Universitários de Gurupi – APUGSsind, realizou nesta quarta-feira, na Sala de Reuniões da Reitoria da UnirG, o primeiro encontro oficial da nova gestão sindical, com a Reitoria da Universidade UnirG. A reunião marcou o início de um ciclo mais incisivo de cobranças institucionais, sob a presidência do professor Gilberto Correia da Silva, que deixou claro o tom da atuação da entidade para a Reitora, professora Jaqueline Ribeiro,  Vice-Reitor, professor Paulo Henrique e à Pró-reitora de Graduação, professora Samara Gomes. Com diálogo permanente, porém com firmeza na defesa intransigente da carreira docente.

Entre os principais pontos levados à Reitoria, a APUG questionou a ausência, até o momento, de concurso público para docentes da UnirG nos campi de Gurupi e Paraíso do Tocantins. A direção sindical destacou que professores em Regime de Dedicação Exclusiva que se aposentaram ou solicitaram afastamento não foram substituídos, situação que, segundo a entidade, compromete o funcionamento acadêmico, sobrecarrega os docentes em atividade e impacta diretamente a qualidade do ensino.

A entidade ressaltou ainda que a falta de concursos públicos não é um problema restrito à universidade, mas reflete uma prática recorrente também na administração direta do município de Gurupi, tanto no âmbito administrativo quanto no docente. Para a APUG, esse modelo de gestão, baseado no uso excessivo de cargos comissionados, contratos temporários e preceptores em número muito superior ao que estabelece a legislação, produz efeitos nocivos não apenas para a carreira e para a institucionalidade, mas também para o sistema previdenciário próprio do município, o GurupiPrev.

Segundo a avaliação sindical, a redução do número de servidores efetivos implica diminuição direta da arrecadação previdenciária, enfraquecendo o equilíbrio financeiro do regime próprio. “Quando se substitui servidor concursado por comissionado, contratado ou preceptor, a contribuição previdenciária cai, e o rombo aparece. A solução adotada por sucessivas gestões tem sido sempre a mesma: tentar elevar alíquotas ou promover reformas previdenciárias que penalizam quem está na ativa, os aposentados e os pensionistas”, pontua a direção da APUG.

Para o sindicato, esse ciclo de decisões equivocado transfere para os servidores a conta de uma política de pessoal mal planejada, sem enfrentar a raiz do problema, que é a ausência de concursos públicos regulares e o respeito aos limites legais. A APUG avalia que insistir nesse caminho aprofunda a precarização do trabalho, fragiliza a universidade e compromete a sustentabilidade do próprio sistema previdenciário municipal.

Outro tema sensível foi a postura da gestão universitária em relação ao pagamento de assessores por meio de preceptoria. A APUG solicitou esclarecimentos formais sobre os critérios adotados e cobrou transparência quanto à legalidade e à finalidade desse tipo de vínculo, defendendo que tais práticas não podem ser utilizadas como substituição indireta e permanente de docentes efetivos.

A entidade também manifestou preocupação com o atraso nas progressões docentes, questionando qual tem sido a atuação do Conselho Superior Universitário (Consup) diante da demora na análise e efetivação de direitos previstos no Plano de Carreira. Para a nova gestão sindical, a morosidade nesses processos configura mais um fator de desvalorização profissional.

Durante a reunião, a Apug cobrou ainda uma postura política mais firme da Reitoria frente ao que classificou como precarização do trabalho docente. O sindicato chamou atenção para fragilidades estruturais do organograma acadêmico, como a inexistência de reconhecimento legal da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis, além da ausência de uma Pró-Reitoria de Planejamento Institucional, considerada fundamental para garantir eficiência administrativa, planejamento de médio e longo prazo e fortalecimento institucional da universidade.

Como encaminhamento objetivo, a diretoria da APUG protocolou pedido formal para que a Pró-Reitoria Acadêmica apresente dados detalhados sobre o quadro funcional da instituição, incluindo o número de professores efetivos, contratados e de preceptores atualmente em atividade.

O presidente da seção sindical reforçou que as cobranças não se limitarão ao âmbito da Reitoria. Segundo ele, a entidade já solicitou reunião com o presidente da Fundação UnirG e também encaminhará, por meio de ofício, pedido de audiência com a prefeita de Gurupi.

“Nosso papel é zelar pela carreira docente e claro, pela universidade, pública municipal. As cobranças feitas hoje à Reitoria também serão apresentadas à Fundação UnirG e ao Poder Executivo municipal. Estamos nos antecipando a um ano que promete muitos desdobramentos, especialmente por ser um ano eleitoral. O concurso é fundamental e somos favoráveis que a gestão seja unificada, reduzindo os custos e o principal, que é acabar com o choque que sempre existiu, que remete a uma questão séria, da falta de entrosamento entre Fundação e Reitoria, onde observamos claramente a ingerência administrativa em gestão acadêmica, que depende da gestão financeira para as ações da universidade. Dois gestores que não conseguem se entender, gerando conflitos e ruídos que afetam diretamente todo o funcionamento e ações da universidade como um todo, comprometendo sua autonomia, seu planejamento e a valorização dos seus profissionais”, afirmou o presidente.

A professora Maria Leci, diretora secretária da Apug, reforçou a fala do presidente e foi enfática ao reafirmar a posição do sindicato. “A Apug não vai compactuar com a precarização do trabalho docente, nem com qualquer desvio de conduta que prejudique a categoria, seja na Fundação UnirG ou na Reitoria. Sindicato existe para lutar pelos direitos da carreira docente, não para conciliar com injustiças ou fazer vistas grossas a direitos fundamentais”, declarou.

A reunião inaugura uma nova fase da APUG, que sinaliza uma atuação mais vigilante e propositiva, com articulação institucional e política, acompanhando de perto as decisões que impactam o presente e o futuro da UnirG, defendendo a autonomia universitária, a transparência administrativa e a valorização do corpo docente.

Além do presidente e da secretária da Apug, também participaram da reunião, o diretor jurídico, Kita Maciel, o 2º secretário, prof. José Carlos de Freitas, a diretora Lucirez Amaral e o assessor jurídico, Rogério Machado.

A reunião com a presidência da Fundação UnirG está agendada para acontecer na próxima sexta-feira (19/12), às 11 horas, na sala da presidência da Fundação Unirg.

Com informações da Ascom/Apug