Durante a cerimônia de posse da nova Diretoria da APUG-SSind, realizada no Auditório Laudete Aires Pereira, o presidente empossado professor Gilberto Correia da Silva fez um discurso marcado pela defesa intransigente dos direitos docentes, pelo compromisso com a democracia e pelo fortalecimento da atuação sindical.
Em sua fala, o presidente destacou o papel histórico da APUG, que se aproxima de 38 anos de existência, reafirmando a entidade como espaço permanente de luta, resistência e defesa da universidade pública, autônoma e socialmente referenciada. Gilberto Correia ressaltou ainda a importância da unidade da categoria, do diálogo institucional responsável e da participação ativa dos docentes na construção coletiva do sindicato.
Leia a integra do discurso do Professor Gilberto Correia na cerimônia de posse da nova diretoria da Apug Ssind Biênio 2025-2027
DISCURSO DE POSSE DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE GURUPI – APUG- SEÇÃO SINDICAL DO ANDES-SN
Senhoras e senhores, companheiras e companheiros, professores, professoras, técnicos, trabalhadoras e trabalhadores, convidados aqui presentes, minha gratidão profunda pela presença de todos e todas neste momento tão significativo.
Quero iniciar minha saudação reverenciando especialmente as mulheres aqui presentes, na pessoa da Professor Marinalva. Em nome dela, saúdo cada mulher que, em todo o Brasil, enfrenta diariamente o peso do machismo, da intolerância e da covardia, um contexto marcado pelo crescimento do feminicídio, que escancara nossa falência social e moral.
Precisamos, com urgência, dizer basta. Basta a esse ciclo de violência que atinge mulheres de todas as idades e classes, e que pesa ainda mais sobre mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas e mulheres trans, que têm sido exterminadas nas ruas e esquinas de nosso país, inclusive aqui em Gurupi, que também já chorou suas vítimas.
Somos professores, professoras, intelectuais, formadores de opinião. Não podemos – e não iremos – nos omitir diante de tal barbaridade.
Hoje celebramos a posse de uma diretoria, mas também reafirmamos um compromisso histórico. A APUG, que em fevereiro próximo completa 38 anos de existência, nasceu da luta. Surgiu na implantação da antiga Fafich e desde então se tornou uma trincheira, talvez a última linha de defesa, dos direitos docentes na Unirg.
Ao longo dessas décadas enfrentamos reformas, retrocessos, afrontas institucionais, manobras políticas que, vez ou outra, tentam desfigurar a essência e a missão da universidade criada há mais de quarenta anos.
Estamos vivendo tempos sombrios. Rumores de autoritarismo, práticas fascistas, perseguições veladas, precarização do trabalho, ataques diretos à democracia, às instituições e aos direitos sociais conquistados com sangue, suor e coragem.
E o mais grave: vivemos também tempos de acomodação, “naturalização” da violência institucional, e medo. Medo de lutar, medo de falar, medo de desagradar quem detém poder. Há colegas que, infelizmente, se deixam seduzir por cargos, vantagens momentâneas e alianças oportunistas. E, assim, silenciam diante das injustiças ou passam a defender o indefensável, legitimando a retirada de direitos.
Mas nós, não. Nós permanecemos aqui por outro propósito.
A Unirg é hoje uma universidade adoecida. Professores e professoras exaustos, muitos com problemas de saúde física e mental, pressionados por uma lógica de produtividade desumana, por relações autoritárias, pela falta de diálogo e pelo descaso institucional.
O que acontece aqui também acontece no Estado e no país inteiro. Apenas para ilustrar, entre janeiro e abril deste ano, mais de 700 policiais militares no Tocantins foram afastados por problemas mentais decorrentes do trabalho. Entre nós, docentes, os números também crescem, mas ainda invisibilizados.
Enquanto isso, vemos leis serem usadas com rigor apenas para punir o trabalhador, mas não para garantir seus direitos. Vemos decisões judiciais serem ignoradas, empurradas, proteladas. Vemos colegas sofrendo repressão administrativa porque ousaram questionar, como se exigir o cumprimento da Constituição fosse um ato de rebeldia.
Sim, estamos atravessando tempos de horrores. Mas ninguém lavará as mãos como Pilatos aqui. Não seremos cúmplices da omissão.
Quero reafirmar aqui com todas as letras: a APUG não é puxadinho de ninguém.
Não somos extensão de prefeitura, fundação ou qualquer poder.
Somos como dois trilhos de trem: caminhamos paralelos, convivemos institucionalmente, com respeito — mas não nos cruzamos, não nos submetemos.
A APUG tem lado:
— o lado do trabalhador;
— o lado da democracia;
— o lado da justiça social;
— o lado da universidade pública, autônoma, plural e inclusiva;
— o lado do Andes-SN, nosso sindicato nacional, que expressa uma categoria combativa em todo o Brasil.
E a categoria precisa entender uma verdade central: o sindicato somos todos nós. Não apenas a diretoria que hoje toma posse, nem apenas o presidente. Cada docente, cada voz, cada participação, cada enfrentamento, cada coragem — isto é sindicato.
Como dizia nosso colega aposentado, professor Adilar Daltoé:
“Patrão é patrão, peão é peão.”
Se esquecermos disso, seremos engolidos pela história e veremos apagadas as conquistas arrancadas por quem, lá atrás, ousou sonhar, ousou lutar e ousou permanecer.
Hoje, 12 de dezembro, estamos aqui. Eu e a maioria da nova diretoria, para declarar que seguiremos firmes, sem radicalismos gratuitos, mas também sem transigir, sem recuar, sem negar a luta.
Queremos diálogo. Sim, queremos. Mas não estamos tendo o devido respeito e retorno nesse diálogo.
Mas queremos diálogo verdadeiro, honesto, institucional, com compromisso público e responsabilidade política.
Diferenças institucionais não podem ser transformadas em perseguições pessoais.
Quem luta por direitos não é inimigo.
Quem exige respeito não é rebelde.
Nada, absolutamente nada, foi dado de graça ao trabalhador brasileiro — nem ao tocantinense, nem ao gurupiense, muito menos aos professores, professoras e funcionários administrativos da Unirg. Tudo foi conquista. E o que é conquista precisa ser defendido todos os dias.
Finalizo com as palavras de Raul Seixas, que bem traduzem o espírito de nossa caminhada:
“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só.
Sonho que se sonha junto é realidade.”
Que possamos sonhar juntos. E mais que isso: lutar juntos. Para construir uma Unirg melhor, mais justa, mais humana, mais democrática e verdadeiramente pública. Não apenas conforme os olhares dos gestores, mas segundo o olhar coletivo de todos e todas que fazem esta Universidade existir.
Muito obrigado.
Que Deus nos ajude nesta jornada.
Por Ascom Apug Foto: Haylma Jaine






