A APUG organizou uma caravana de professores e estudantes da UnirG, IFTO e UFT para participar do III Encontro Nacional de Educação (ENE), que ocorreu de 12 a 14 de abril na Universidade de Brasília (UnB).

Essa articulação surgiu como necessidade de promover discussão e incentivar a valorização dos cursos de licenciatura e ciências humanas, bem como resposta ao possível fechamento desses cursos pela UnirG. Dentre os cursos de baixa demanda da instituição, destacam-se, principalmente Pedagogia, Letras, Educação Física, Jornalismo, Administração e Ciências Contábeis.

“A defesa desses cursos passa pela educação pública em um projeto classista de educação, para enfrentar a privatização, mercantilização e precarização da educação brasileira, que avança há décadas sob a batuta do projeto neoliberal no Brasil. A educação pública brasileira nunca esteve tão ameaçada e agredida como nesse governo, que declarou a educação como um dos principais fronts de sua luta ideológica.

Ao mesmo tempo em que transforma o debate da educação no país numa luta ideológica chamada “ideologia e gênero”,  ”marxismo cultural”,  “esquerdismo radical” e a “doutrinação”, o governo Bolsonaro promove sucessivos ataques à educação e aos professores. Essa pauta não é uma mera ação contra os pressupostos classistas e de esquerda, mas um elemento estratégico de viabilização de um projeto reacionário de educação para excluir qualquer perspectiva de formação educacional crítica, de protagonismo social e ampla destruição da educação pública e seus espaços de luta.

O que  a extrema direita brasileira quer de fato, é bloquear de vez a participação popular e subordinar a  educação aos interesses mercadológicos. Com seu discurso antiesquerdista, o governo Bolsonaro busca disputar junto a população a narrativa sobre a raiz dos problemas que assolam a educação pública em todos os níveis, escondendo responsabilidade do setor governante, que em apenas 100 dias destruiu quase todas as conquistas educacionais dos últimos 14 anos.

Hoje, a crise que a educação brasileira vive com redução de verbas, congelamento de concursos, revisão de programas sociais e outras medidas autoritárias,  visa colocar em andamento uma política econômica que tem como função principal entregar uma fatia maior ao orçamento público para os banqueiros, enquanto apresenta propostas de agravamento do apartheid educacional no país e  subordina cada vez mais as escolas e universidades ao grande capital. Como o grupo Kroton, maior grupo privado de educação do mundo e dono da maior estrutura de EAD do Brasil, inclusive já controlando 55% de toda formação de professores no país.

Estamos diante de uma catástrofe educacional em todos os níveis da educação, gerando cada vez mais um abismo entre as escolas da elite e a escola do povo. Por isso, resistir à militarização das escolas, ao autoritarismo no espaço acadêmico, a privatização e a mercantilização da educação são as principais tarefas dos jovens estudantes e professores presentes no III ENE.

Combater as manifestações do obscurantismo reacionário e da pós-verdade são lutas determinantes para todos os educadores e estudantes que querem construir um país justo, socialmente equilibrado e democrático” articulou o presidente da APUG, Paulo Henrique Mattos.

Assim, o III ENE dentre outras coisas importantes aprovou a necessidade de luta e defesa do caráter público, gratuito, laico e de qualidade para educação em todos os níveis. O Andes como sindicato nacional dos docentes do ensino superior do Brasil realizou o III ENE como parte de sua estratégia  sindical classista e comprometida com os interesses populares e a luta democrática.

 

ASCOM/APUG-SSIND